The Real Thing – Faith no More (1989)

Quem me conhece melhor certamente já ouviu essa história.

Em 2002 eu tinha 12 anos. Tenho uma tia que, na época, morava em Presidente Prudente (não muito longe de Marília, onde morei a vida toda). Fomos visitá-la e eu, fuçando nas tralhas abandonadas dos meu primos mais velhos (bem mais velhos) eu encontro duas fitas cassete: Crazy World(1990), do Scorpions e The Real Thing, do Faith No more. Fiquei impressionado primeiramente com o formato, porque tinha várias fitas cassete em casa, mas nenhuma digamos, “original”. Enfim, essas duas cassete acabaram por ser meu primeiro contato com o rock fora da MTV, onde eu até então me deliciava com os clipes do Creed no Disc MTV (não menosprezando o Creed, banda que ainda curto, mas expandi muito meus horizontes).

De início fiquei completamente viciado na fita do Scorpions, que não saia do toca fitas do carro do meu pai, para o desespero de todos. Não dei muita atenção a The Real Thing  na época, talvez até por não entender aquela sonoridade, que era muito nova pra mim, preferindo o Hard Rock de fácil assimilação do outro achado. Mas com o tempo o Faith No More foi me conquistando, chegando até a tomar o lugar dos alemães do Scorpions (o que deixou o restante da família ainda menos contente).

Esse disco foi lançado no ano de 1989 e é o primeiro da banda com Mike Patton, o vocalista que foi descrito por alguém como “um galã doentio”, fazendo um paralelo da beleza do rapazote com suas letras e atitude no palco. A entrada de Patton, que já entrou compondo praticamente todas as letras do disco, finalmente levou a banda ao estrelato, já que haviam lançado três discos anteriores a este, sem muito sussesso. O disco direcionou a banda para um estilo diferente do que já haviam feito: o que é chamado de funk metal, que consagrou bandas mais comerciais, como o Red Hot Chilli Peppers. Baixo bem marcado, sendo Billy Gould considerado o primeiro baixista a utilizar a técnica do slap no Heavy Metal. A guitarra de Jim Martin também é bastante impressionante, com riffs bastante agressivos, memoráveis, mas poucos solos.

Mas o destaque fica naturalmente para Patton que, além das ótimas letras, apresenta linhas vocais muito inovadoras, sendo capaz de cantar de várias maneiras, hora muito esganiçadas ou agressivas, hora muito calmas e melodiosas, indo do gutural à voz limpa (às vezes na mesma música), fazendo vários timbres diferentes.

O disco tem clássicos indiscutiveis do rock dos anos 90 (mesmo tendo sido lançado em 1989), como “Epic” e “Falling to Pieces”, que acredito nem precisarem ser comentadas. Por isso destaco a faixa título (abaixo), uma música de extremos, com passagens lentas, calmas, e de extrema fúria (o tipo de música que estoura de repente), com uma bela letra, muito bem interpretada por Mike. A balada que fecha o disco, “Edge Of The World”, com um piano muito bonito (presente em quase todo o disco), possui uma letra peculiar. Imagine uma letra romântica escrita por um pedófilo psicopata. Difícil? Pois é, vale uma ouvida. Há ainda uma ótima versão de “War Pigs”, do Sabbath, que, ao menos na versão cassete, está como uma faixa escondida, não creditada.

Infelizmente após este lançamente o Faith No More não manteve tão forte essa linha “funkeada”, mas The Real Thing é sem dúvidas um grande disco (ou fita), um dos meus preferidos com certeza.

Por: Lucas Casarini

Publicitário e apaixonado por Rock!

Curitiba/PR

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