Arquivo do mês: maio 2012

Patrulha do Espaço: 35 anos Dormindo em Cama de Pregos

Um salve aos ouvintes e agora leitores do Rolling Time! Primeiramente devo felicitar a quem teve esta grande idéia de abrir esse espaço para Opiniões. Espero que possamos ganhar bastante com a troca de informações. E como sou grande apreciador e até militante em valorizar o Rock’N’Roll brasileiro, não poderia ocupar este espaço de outra forma. Cabe dizer, e não tenho medo de radicalismo, que falo sobre o verdadeiro Rock’N’Roll brasileiro, aquele surgido antes do Pop New Wave oitentista de Legião Urbana e companhia, e que vai quase à contramão deste. Um Rock’N’Roll que sobrevive em bares saudosistas ou nos poeirentos fundos dos baús de valentes guerreiros que, graças a internet, hoje podem compartilhar suas peças com o mundo. Muitas dessas peças são bandas que permanecem desconhecidas ou desvalorizadas por muitos. Como disse, sou apreciador e incentivador destas bandas e deste Rock’N’Roll.

E uma dessas bandas é a Patrulha do Espaço. Criada em 1977, pelo então ex-Mutante, Arnaldo Baptista e, a partir de 78, capitaneada pelo baterista Rolando Castello Junior, a nave da Patrulha vem vencendo as barreiras do tempo com muitos altos e baixos em sua história, incluindo um grande número de trocas de integrantes, vários acidentes de percurso (alguns até fatais), mas sempre movidos pelo Rock’N’Roll pesado. Pessoalmente, acho o som deles perfeito: guitarras pesadas, o baixo presente e a bateria monumental do Junior, um dos melhores bateristas do Brasil. Em 1980 a banda lançou o que seria o primeiro disco independente de Rock em terras tupiniquins, intitulado apenas Patrulha do Espaço, conhecido como o ‘álbum preto’.

Em março de 2012 a Patrulha lança seu disco de número 20 (contando aí no meio alguns compactos e coletâneas) chamado: Dormindo em Cama de Pregos, que reflete nas palavras do Junior: “A impressão digital da atual formação da Patrulha”, que agora consta de, além de Junior, sua companheira Marta Benévolo, nos vocais, Danilo Zanite, na guitarra e Paulo Carvalho no baixo. O título do disco faz referência aos faquires, mestres capazes de feitos mágicos como andar sobre fogo ou dormir em cama de pregos. O termo também se relaciona a pobreza e a mendicância. Nesta linha, o faquir é o mendigo mágico. Há aqui uma referência a toda a trajetória da banda, mas principalmente ao processo de produção deste disco, que foi gravado em vários estúdios, em várias cidades onde a Patrulha pousava pra tocar e acabava, nos estúdios de amigos, por registrar uma ou outra canção.

Patrulha do Espaço na formação que gravou o ‘disco preto’, 1980

Dormindo em Cama de Pregos trás no todo 6 faixas, sendo duas como bônus tracks. Das músicas ‘oficiais’ destaco Riff Matador, que transmite, a meu ver, a mescla mais justa entre a sonoridade característica da Patrulha, com a sua atual formação. Ainda recomendo RolandoRock, quase uma autobiografia do Rolando Castelo Junior e sua vida de estrada e bateria. Entre as faixas bônus, está Quatro Cordas e um Vocal uma bela homenagem a duas personalidades marcantes dentro do Rock’N’Roll brasileiro: Oswaldo ‘Kokinho’ Gennari, baixista e co-fundador da Patrulha, e Deborah Carvalho, vocalista do Made In Brazil. Embora a qualidade do disco possa ter ficado meio afetada devido ao processo pouco ortodoxo de gravação, é um disco em que se pode sentir toda energia de uma banda com muita estrada e que faz Rock’N’Roll da maneira mais sincera e visceral possível. Enfim, este é um disco que precisava ser feito.

Espero que vocês possam ouvir e curtir o som da Patrulha do Espaço e de outras bandas brasileiras que fazem Rock’N’Roll porque precisam não porque querem provar qualquer coisa ou ganhar grana. Valeu. Que os ventos do Norte tragam a todos Boa Sorte, e muita paz e Rock’N’Roll.

Marcio Fraga de Oliveira

Poeta por maioria de votos e amante do Rock’N’Roll porque precisa.

Ortigueira/ PR


Rolling Time – 33ª Edição

Demorou um pouquinho, mas chegou…comentem e peçam músicas

Ouça também a entrevista do grupo guarapuavano, Coyotes Rock Band

Após inúmeras loucuras durante um dos maiores festivais de rock do Brasil surgiu a idéia para formação da Coyotes Rock Band.

A banda composta por Divo, Filipe, Marino e PH, tem como principais influências o rock clássico, psicodélico e progressivo dos anos 60 e 70, assim como o Funk/Soul desta mesma época. Os Coyotes buscam resgatar o verdadeiro espírito do Rock & Roll e enaltecer seu estilo de vida, transportando isso para sua música através de riffs pesados e marcantes, vocais potentes e levadas com muito groove.

O trabalho da banda pode ser conferido no seu primeiro álbum intitulado “Do Espaço”, e também nas suas apresentações repletas de energia com a pegada mais visceral do puro Rock & Roll!

Mais informações: http://www.bandacoyotes.com.br/


The Real Thing – Faith no More (1989)

Quem me conhece melhor certamente já ouviu essa história.

Em 2002 eu tinha 12 anos. Tenho uma tia que, na época, morava em Presidente Prudente (não muito longe de Marília, onde morei a vida toda). Fomos visitá-la e eu, fuçando nas tralhas abandonadas dos meu primos mais velhos (bem mais velhos) eu encontro duas fitas cassete: Crazy World(1990), do Scorpions e The Real Thing, do Faith No more. Fiquei impressionado primeiramente com o formato, porque tinha várias fitas cassete em casa, mas nenhuma digamos, “original”. Enfim, essas duas cassete acabaram por ser meu primeiro contato com o rock fora da MTV, onde eu até então me deliciava com os clipes do Creed no Disc MTV (não menosprezando o Creed, banda que ainda curto, mas expandi muito meus horizontes).

De início fiquei completamente viciado na fita do Scorpions, que não saia do toca fitas do carro do meu pai, para o desespero de todos. Não dei muita atenção a The Real Thing  na época, talvez até por não entender aquela sonoridade, que era muito nova pra mim, preferindo o Hard Rock de fácil assimilação do outro achado. Mas com o tempo o Faith No More foi me conquistando, chegando até a tomar o lugar dos alemães do Scorpions (o que deixou o restante da família ainda menos contente).

Esse disco foi lançado no ano de 1989 e é o primeiro da banda com Mike Patton, o vocalista que foi descrito por alguém como “um galã doentio”, fazendo um paralelo da beleza do rapazote com suas letras e atitude no palco. A entrada de Patton, que já entrou compondo praticamente todas as letras do disco, finalmente levou a banda ao estrelato, já que haviam lançado três discos anteriores a este, sem muito sussesso. O disco direcionou a banda para um estilo diferente do que já haviam feito: o que é chamado de funk metal, que consagrou bandas mais comerciais, como o Red Hot Chilli Peppers. Baixo bem marcado, sendo Billy Gould considerado o primeiro baixista a utilizar a técnica do slap no Heavy Metal. A guitarra de Jim Martin também é bastante impressionante, com riffs bastante agressivos, memoráveis, mas poucos solos.

Mas o destaque fica naturalmente para Patton que, além das ótimas letras, apresenta linhas vocais muito inovadoras, sendo capaz de cantar de várias maneiras, hora muito esganiçadas ou agressivas, hora muito calmas e melodiosas, indo do gutural à voz limpa (às vezes na mesma música), fazendo vários timbres diferentes.

O disco tem clássicos indiscutiveis do rock dos anos 90 (mesmo tendo sido lançado em 1989), como “Epic” e “Falling to Pieces”, que acredito nem precisarem ser comentadas. Por isso destaco a faixa título (abaixo), uma música de extremos, com passagens lentas, calmas, e de extrema fúria (o tipo de música que estoura de repente), com uma bela letra, muito bem interpretada por Mike. A balada que fecha o disco, “Edge Of The World”, com um piano muito bonito (presente em quase todo o disco), possui uma letra peculiar. Imagine uma letra romântica escrita por um pedófilo psicopata. Difícil? Pois é, vale uma ouvida. Há ainda uma ótima versão de “War Pigs”, do Sabbath, que, ao menos na versão cassete, está como uma faixa escondida, não creditada.

Infelizmente após este lançamente o Faith No More não manteve tão forte essa linha “funkeada”, mas The Real Thing é sem dúvidas um grande disco (ou fita), um dos meus preferidos com certeza.

Por: Lucas Casarini

Publicitário e apaixonado por Rock!

Curitiba/PR


Stone Roses: A volta de uma das bandas mais influentes de todos os tempos

Olá, caro internauta! Em primeiro lugar gostaria de agradecer o convite do blog e dizer que será um prazer ter você acompanhando meus textos, no qual vamos tratar de música de uma maneira sincera, sem a política do “tapinha nas costas”. Ou seja, de uma forma isenta e imparcial! Nesse espaço, falarei de bandas, shows, lançamentos e crítica em geral, portanto, seja bem vindo!

Sem mais delongas, falarei, nesse primeiro texto, de uma banda pouco conhecida no Brasil e aposto que a maioria pensou ao ler o título de texto: “como assim uma das bandas mais influentes?” explico.

O ano era 1989, quatro jovens da cinza Manchester, na Inglaterra, ao lado de bandas como The Charlatans e Happy Mondays conseguem lançar seu primeiro álbum, o homônimo “The Stone Roses”. O quarteto fora formado por  Ian Brown  no vocal, John Squeire na guitarra e mais o baixista Mani e o baterista Reni).

O lançamento do álbum de estreia, em 89, não foi um sucesso instantâneo e o disco foi sendo descoberto aos poucos pela imprensa e pelo público, mas em determinado momento, no inicio de 90, a coisa pegou e não se falava em outro assunto, apenas em músicas! “I wanna be adored, waterfall, don’t stop, made of stone” todas do primeiro album.

Em maio de 90, a banda tocaria para 25 mil pessoas em Manchester, show que ficaria conhecido como “Woodstock da geração madchester” (madchester era o termo usado para definir a geração musical da cidade, naquele período).

O sucesso foi tamanho, que a banda chegou a recusar abrir shows para os Rolling Stones e, ainda disse, que eles é quem deveriam fazer tal abertura. Brigas com gravadores, drogas, e atritos entre os integrantes atrasaram o segundo álbum, “Second Coming”, que só saiu em meados de 1994, mas o cenário já era outro. O movimento grunge seguia forte, bandas como Primal Scream davam a mistura da música eletrônica do rock e soul, tudo isso culminou com o fim da banda. O que não impossibilitou do Oasis pegar carona e lançar, no mesmo ano, o aclamado “Defininetly Maybe” repleto de influências de Stone Roses e do movimento medchester.

Agora você me pergunta, porque diabos uma banda que só lançou dois discos e que eu nunca ouvi falar é uma das mais influentes de todos os tempos? Vou citar alguns motivos: o disco de estreia já fora listado inúmeras vezes entre os melhores de todos os tempos, do Reino Unido, em 2003, a revista NME elegeu o disco como o melhor de todos os tempos, superando Beatles e The Smiths. Os irmãos Gallagher, conhecidos pela sua arrogância, idolatram a banda, tanto que Liam, frontman do grupo inglês, assemelha-se com Ian Brown.

Entre outros motivos saiba que a maioria das bandas do chamado British Rock ou British pop, inspiraram-se em quase tudo do Stone Roses, desde o jeito de se vestir, até o comportamento, sem contar a sonoridade, principalmente. Se você não conhece, deixo duas dicas:

1 – Baixe com urgência o álbum de estréia.

2 – Ano passado, a banda anunciou seu retorno com a formação original e vai tocar nos grandes festivais de verão europeu, portanto acompanhe os shows. Você terá noção da comoção criada em torno desta volta. Em menos de uma hora, os 220 mil ingressos dos três shows se esgotaram, portanto, meu amigo, é por esse motivo que acho uma das grandes bandas da história, concorda?

Deixe seu comentário!

Por: William Bruno Correa

Crítico musical e acadêmico do 2º ano do curso de história, UNICENTRO. Guarapuava/PR


Rolling Time – 32ª Edição – A volta de quem não devia ter ido

Fala galera, estamos de volta com tudo e contamos com vocês pra mais acessos, pedidos, gostosa da semana, essa porra toda…

Segue abaixo a entrevista com a banda Vera Loca, confere aí e comenta